Óleo Diesel PDF Imprimir E-mail

     O Óleo Diesel é um combustível derivado do petróleo sendo constituído basicamente por hidrocabonetos ( compostos orgânicos que contém átomos de carbono e hidrogênio ). Alguns compostos presentes no diesel, além de apresentar carbono e hidrogênio apresentam também enxofre e nitrogênio. Normalmente, o diesel é um combustível mais “pesado” do que a gasolina e apresenta-se com cadeia carbônica de 6 a 30 átomos.

     Da composição do óleo diesel participam hidrocarbonetos parafínicos, oleofínicos e aromáticos. Produzido a partir da refinação do petróleo, o óleo diesel é formulado através da mistura de diversas correntes como gasóleos, nafta pesada, diesel leve e diesel pesado, provenientes das diversas etapas de processamento do petróleo bruto. As proporções destes componentes no óleo diesel são aquelas que permitem enquadrar o produto final dentro das especificações previamente definidas e que são necessárias para permitir um bom desempenho do produto, minimizando o desgaste dos motores e componentes e mantendo a emissão de poluentes, gerados na queima desse combustível, em níveis aceitáveis.

 

     TIPOS DE ÓLEO DIESEL

     São definidos e especificados, atualmente, pelo Departamento Nacional de Combustíveis-DNC, quatro tipos básicos de óleo diesel: A, B, C, e D. A seguir, fornecemos algumas informações sobre estes tipos de diesel:

     Tipo A – É o óleo diesel utilizado em motores de ciclo diesel ( ônibus, caminhões, carretas, veículos utilitários, etc. ) e em instalações de aquecimento de pequeno porte. Este óleo encontra-se disponível em todas as regiões do Brasil e caracteriza-se por possuir um teor de enxofre de, no máximo, 1,0%.

     Tipo B – É o óleo diesel conhecido como “metropolitano”. Tem a mesma aplicação do diesel tipo A diferindo dele por possuir, no máximo, 0,5% de enxofre e por somente ser comercializado, atualmente, para uso nas regiões metropolitanas das seguintes capitais: Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

     Tipo C – Este tipo de óleo diesel caracteriza-se, principalmente, por possuir, no máximo, 0,3% de enxofre. Outro item que diferencia este tipo de diesel dos demais é a temperatura necessária para destilação de 85% do seu volume: 360ºC contra 370ºC dos demais tipos. Este óleo está disponível desde primeiro deoutubro de 1996, quando foi disponibilizado, pela PETROBRAS para uso nas regiões metropolitanas de Salvador, São Paulo, Aracaju, Santos e Cubatão. A partir de outubro de 1997, este tipo de diesel estará disponível para uso nas regiões metropolitanas de Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Campinas e são José dos Campos.

     Tipo D – É o óleo diesel marítimo. É produzido especialmente para a utilização em motores de embarcações  marítimas. Difere do diesel Tipo A por ter especificado o seu ponto de fulgor em, no máximo, 60ºC.

     Óleo Diesel Aditivado

     Além dos tipos básicos de óleo diesel anteriormente apresentados, encontra-se disponível em alguns postos de serviço o óleo diesel aditivado. Trata-se, do óleo diesel dos tipos A, B ou C que, após sair da refinaria, recebe, nas distribuidoras, uma aditivação que visa conferir ao produto melhores características de desempenho. Normalmente estes aditivos apresentam propriedades desemulsificante, anti-espumante, detergente, dispersante e de inibidor de corrosão.

     Com estas características fornecidas pelos aditivos evita-se que o diesel forme emulsão com a água o que, quando ocorre, dificulta a sua separação do produto e impede a sua drenagem. Pretende-se, também, permitir o rápido e completo enchimento dos tanques dos veículos ( o que antes era prejudicado pela geração de espuma ), manter limpos o sistema de combustível e a câmara de combustão, aumentando a vida útil do motor e minimizando a emissão de poluentes. Além destes benefícios, um dos aditivos ( o inibidor de corrosão ) minimiza a corrosão dos tanques de armazenagem e dos tanques de combustível dos veículos.

     ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DO ÓLEO DIESEL

     - ASPECTO

     É um teste que permite que se tenha uma rápida indicação visual da qualidade e até mesmo identificar uma contaminação do produto. O diesel deve apresentar-se límpido e isento de materiais em suspensão como poeira, ferrugem, água, etc. Estes contaminantes, quando presentes, podem reduzir a vida útil dos filtros dos veículos e equipamentos e prejudicar o funcionamento dos motores. O teste é feito observando-se, contra a luz natural, uma amostra de 0,91 do produto contido em recipiente de vidro transparente e com capacidade total de 1 litro. Não sendo observada a presença de água livre ou de materiais sólidos e, estando o produto límpido, considera-se que o produto está aprovado neste teste.

     - TEOR DE ENXOFRE

     É um indicativo da concentração desse elemento no óleo. O enxofre é um elemento indesejável em qualquer combustível devido à ação corrosiva de seus compostos e à formação de gases tóxicos como SO2 ( Dióxido de Enxofre ) e SO3 (Trióxido de enxofre ), que ocorre durante a combustão do produto. Na presença de água, o trióxido de enxofre leva à formação de ácido sulfúrico ( *H2SO4 ) que é altamente corrosivo para as partes metálicas dos equipamentos, além de ser poluente. O teste é feito queimando-se uma pequena quantidade de amostra em equipamento específico para este fim. Esta queima transforma o enxofre presente em óxidos que, após serem quantificados, fornecem a concentração de enxofre total no óleo. Estão também disponíveis equipamentos que fazem a análise incidindo raios X em uma amostra do produto, colocada confinada em uma cédula própria. Neste caso, os átomos de enxofre absorvem energia de um comprimento de onda específico numa quantidade proporcional à concentração de enxofre presente no diesel.

     - PERCENTAGEM DE ÁGUA E SEDIMENTOS

     É uma medida do teor de água e de outros contaminantes que se encontram em suspensão no produto e que se sedimentam durante o teste. A presença destes contaminantes em níveis superiores àqueles pré-fixados, são altamente prejudiciais ao diesel pois prejudicam sua combustão além de acelerar a saturação dos filtros e provocar danos ao sistema de combustível. No sistema de armazenagem estes contaminantes tendem a se depositar no fundo dos tanques e, se água estiver presente, favorecer a deteriorização do diesel pelo desenvolvimento de colônias de bactérias. O teste é feito centrifugando-se, em tubo de ensaio, 50ml da amostra misturada com quantidade igual de um solvente ( tolueno ). No final, lê-se a camada de água e de sedimentos presentes na parte inferior do tubo e a seguir calcula-se a percentagem de água e sedimentos em relação à amostra tomada.

     - TEOR DE CINZAS

     É o teor de resíduos inorgânicos, não combustíveis, apurado após a queima de uma amostra do produto. Esta avaliação visa garantir que os sais ou óxidos metálicos, formados após a combustão do produto e que se apresentam como abrasivos, não venham a causar depósitos numa quantidade que prejudique os pistões, a câmara de combustão, etc. O ensaio consiste em queimar uma determinada quantidade de amostra, seguida de calcinação do resíduo com sua posterior quantificação como percentagem de cinzas no óleo.

     - PONTO DE ENTUPIMENTO DE FILTRO

     É definido como a maior temperatura na qual o combustível, quando resfriado sob condições controladas, não escoará ou necessitará de mais que 60 segundos para passagem de 20 ml do produto através de um filtro, ou ainda, não retorna completamente para o frasco de teste. Na prática, o ponto de entupimento representa a temperatura ambiente na qual o diesel começa a causar o entupimento de filtros, dificuldade de bombeio e de atomização para queima. Estes problemas são causados pela cristalização das parafinas ( compostos presentes no diesel ) e pela água, se presente no combustível mesmo em muito pequenas quantidades. O teste é feito em aparelho automátic.

     CUIDADOS PARA PRESERVAR QUALIDADE DO ÓLEO DIESEL DURANTE O ARMAZENAMENTO:

     Após ter recebido óleo diesel em seus tanques de armazenamento, alguns cuidados devem ser tomados para preservar suas características, evitando gastos maiores do que o necessário com a manutenção tanto dos tanques de armazenagem, quanto dos veículos e equipamentos.

     As recomendações a seguir têm o objetivo de ajudá-lo a preservar a qualidade deste combustível durante a estocagem:

     1. INSPECIONE E LIMPE OS TANQUES DE ARMAZENAMENTO:

     Os tanques de armazenagem de óleo diesel requerem cuidados especiais. Por serem, normalmente, construídos com aço-carbono, enferrujam com o uso. Com o passar do tempo, a corrosão leva formação de camadas espessas de ferrugem que, à medida que vai consumindo a chapa do tanque, se solta e se deposita no fundo do mesmo. Essa ferrugem, com o recebimento de novas cargas de diesel, é revolvida e incorporada ao diesel prejudicando a sua qualidade. Se presente no diesel, a ferrugem pode provocar o entupimento das placas do filtro prensa ou dos filtros de caminhões e equipamentos em geral. A corrosão também pode provocar furos nos tanques de armazenagem, o que levará a ocorrência de vazamentos com conseqüente perda de produto e contaminação do meio ambiente ( solo e lençol freático ). Pode, também, ocorrer a passagem de água do solo para dentro dos tanques, através desses furos.

     Para evitar prejuízos e preservar as características do diesel, recomendamos a adoção de uma rotina de limpeza e de inspeção do sistema de armazenagem. Esta inspeção inclui a checagem da perfeita vedação da tampa da boca de descarga, averiguação, da desobstrução dos suspiros, verificação da presença de água e avaliação do estado de conservação do interior dos tanques.

     Esta avaliação do interior dos tanques pode ser feita utilizando-se uma bomba de sucção manual. Para a inspeção deve-se drenar o diesel encostando o tubo da bomba na chapa do fundo do tanque, tanto do lado da boca de descarga quanto do lado oposto, onde fica a válvula de pé pela qual a bomba de abastecimento succiona o produto. Durante essas drenagens, se for detectada significativa quantidade de ferrugem, pode ser um indicativo de que o tanque está excessivamente corroído. Neste caso, deve-se providenciar a limpeza do tanque seguida de teste hidrostático para certificar se não há furos. Outros dois procedimentos que podem ser utilizados para avaliação do estado de conservação dos tanques são:

     - Um bom controle de estoque: variações detectadas no estoque de produtos devem ser consideradas como indicativo da necessidade de realização de testes de estanqueidade.

     - Acompanhamento das placas do filtro prensa: o aparecimento de carepas ( placas de ferrugem ) é um indicativo de que o tanque está excessivamente corroído internamente.

     Estando os tanques muito enferrujados ou com furos, deve-se levar em consideração a necessidade de substituição dos mesmos antes que venham a contaminar o óleo diesel e provocar problemas no sistema de combustível dos veículos, máquinas e equipamentos; além de inconveniências no aspecto de segurança e meio ambiente.

     2. EVITE A PRESENÇA DE ÁGUA NO DIESEL:

     A água que aparece no diesel pode ser proveniente da condensação da umidade nos tanques de armazenagem, da entrada de água de chuva, de ação de sabotagem, de manuseio inadequado, de contaminação acidental ou do próprio processo de produção. A água, se presente no tanque de armazenamento de óleo diesel, leva ao desenvolvimento e multiplicação de colônias de microorganismos ( bactérias, fungos e leveduras ) que se alimentam do diesel gerando um material com aspecto de lama de cor marrom ou escura, a que denomina-se de borra e que se constitui de colônias de bactérias e de produto de corrosão dos tanques. Além da borra são gerados ácidos orgânicos, álcoois e éteres.

     Os produtos químicos formados pelos microorganismos ( ácidos, álcoois, ésteres, etc.), além de provocar corrosão nos tanques de armazenagem, estabilizam a emulsão entre a água e o diesel. O diesel, com estas substâncias fica deteriorado e apresenta um cheiro forte e azedo. A água emulsionada nessa condição, é de difícil separação nos filtros coalescedores ( filtros primários ). Desse modo, o diesel contaminado chega no sistema de combustível danificando-o por corrosão.

     3. EVITE O ENVELHECIMENTO DO DIESEL:

     O óleo diesel sofre oxidações que degradam. O uso de combustível neste condição pode gerar entupimento de filtros de veículos, desgaste da bomba injetora e entupimento dos bicos de queimadores, quando o produto estiver utilizado para queima em fornos. Para impedir o envelhecimento do diesel, tome os seguintes cuidados:

     - NÃO ESTOQUE DIESEL POR MUITO TEMPO:

     A estocagem por tempo prolongado favorece a contaminação e o envelhecimento do produto devido à sua oxidação natural. Esta oxidação leva à formação de sedimentos de origem química e alteram a cor do diesel, sujam os filtros dos veículos e entopem os bicos dos queimadores de fornos e caldeiras.

     - NÃO USE VASILHAME, CONEXÕES, VÁLVULAS, TELAS, FILTROS OU TUBULAÇÃO DE COBRE, BRONZE OU LATÃO:

     O contato do diesel com o cobre ou suas ligas acelera a sua degradação, que é devida às reações químicas complexas que ocorrem entre os constituintes do produto. Isto acelera a alteração da cor do produto e leva à formação de sedimentos que entopem os filtros dos veículos e aumentam a formação de depósitos no motor.

     - NÃO DEIXE O DIESEL EXPOSTO A TEMPERATURAS ELEVADAS:

     O diesel, se ficar exposto a temperatura elevadas ( acima da temperatura ambiente ) quando armazenado ou mesmo parado em tubulações, “ envelhece “ mais rapidamente gerando sedimentos que , como já vimos, geram problemas durante o uso.

     USO

     O óleo diesel utilizado principalmente como combustível de veículos envolvidos com o transporte de passageiros e de cargas mas também costuma ser utilizado para fins industriais ( em fornos e caldeira ). A portaria número 0063 de 6 de março de 1995 do Ministério das Minas e Energia define, conforme o uso a que se destina, a seguinte prioridade de fornecimento:

     1º - Serviço público, de segurança pública e transporte coletivo urbano;

     2º - Transporte de carga;

     3º - Outros consumos automotivos;

     4º - Demais usos.

     Para que se consiga tirar o máximo proveito do óleo diesel, listamos, a seguir, alguns cuidados que, sendo observados, possibilitarão um bom desempenho do combustível, dos motores e dos sistemas de queima:

     a. Mantenha os motores dos veículos devidamente regulados, realizando as manutenções especificadas pelo fabricante.

     b. Elimine todo e qualquer vazamento que apareça no sistema de combustível. Isto evita desperdício de óleo diesel e riscos de segurança.

     c. Atenção especial também deve receber o filtro de ar. Elemento desse filtro vencido ou obstruído prejudica o fluxo de ar para o motor que passa a apresentar má combustão do óleo, o que aumenta o consumo de combustível e a emissão de poluentes.

     d. Adote como rotina drenar periodicamente a água que se acumula no tanque dos veículos, abrindo o bujão localizado na parte inferior do mesmo. Esta água pode ser proveniente do tanque de armazenagem que pode não estar recebendo os cuidados necessários ou mesmo devido à condensação da umidade do ar, principalmente em regiões onde a temperatura do ambiente sofre grandes oscilações e onde a umidade do ar é muito elevada.

     e. Mantenha isento de sujeira o tanque de combustível dos veículos. Impurezas acumuladas no tanque são revolvidas a cada novo abastecimento. Ficando em suspensão no produto essas impurezas provocam a saturação prematura do filtro de combustível do veículo. Esta saturação provocará engasgos e perda de potência devido à redução do fluxo de combustível para queima.

     f. Encha o tanque de combustível dos veículos ( e do comboio de abastecimento ) ao fim de cada turno de trabalho, quando o equipamento normalmente fica algumas horas parado. Isto evitará que a umidade do ar se condense contaminando e provocando o enferrujamento do tanque.

     g. Assegure-se de que a tampa de vedação do tanque do veículo está em bomestado e devidamente apertada. Isto evitará a entrada de água e até mesmo de poeira que contaminará o produto. Este cuidado também evitará o derramamento de produto nas estradas o que, além do prejuízo com o desperdício do óleo, torna a pista escorregadia podendo provocar acidentes.

     h. Não passe do uso de óleo diesel comum para o óleo diesel aditivado sem antes limpar completamente o tanque de armazenagem, as linhas por onde passa o produto e o tanque do veículo. Sem estes cuidados os aditivos do diesel.

     i. arrastarão dos depósitos dos tanques e da tubulação para o filtro de combustível, saturando-o.

     j. Não use óleo diesel envelhecido. Caso o veículo tenha que ficar parado por muitos dias, drene o tanque e o circuito de combustível . Ao voltar a operar o veículo, troque os filtros de combustível e reabasteça com diesel novo.

     k. Não use óleo diesel contaminado com álcool, água ou com qualquer outro produto. O álcool prejudica a qualidade do diesel pois reduz o seu índice de cetano. A água, assim como o álcool, provoca corrosão no tanque de combustível, na bomba e nos bicos injetores dos veículos.

     l. Não viole o lacre da bomba injetora nem altere sua regulagem. Ela já vem calibrada de fábrica de modo que se obtenha o melhor desempenho do motor com o menor consumo de combustível possível. A potência adicional obtida com a alteração da regulagem da bomba não compensa os aumentos no consumo e na emissão de fumaça.

     m. No caso do abastecimento ser feito em postos de serviço, prefira os postos que façam a limpeza periódica dos tanques de armazenamento. Assim você terá a garantia de que o combustível colocado no veículo apresenta a qualidade necessária, isento de água, material sólido, ácidos e outras substâncias prejudiciais ao bom funcionamento do motor.

     n. Sendo o produto usado para fins industriais, mantenha um programa de manutenção preventiva dos queimadores de fornos e caldeiras. Não use material abrasivo para limpeza dos bicos. Não deixe o produto parado em tubulações submetido à temperatura acima do ambiente.

     o. Não use óleo diesel para limpeza de mãos ou qualquer parte do corpo. Este produto, se utilizado para esta finalidade, poderá provocar danos à saúde.

     p. Não use a boca para succionar óleo diesel de tanque do veículo, de tambores, etc.

     q. Não fume nem permita que fumem em local onde óleo diesel estiver sendo descarregado, armazenado ou manuseado. Não permita que esse produto seja exposto ao calor ou chama exposta. O diesel é inflamável e, em se tratando dos óleos de tipos A, B, ou C geram vapores suficientes para iniciar a queima mesmo à temperatura ambiente.

     r. Não permita que o diesel derramado escorra e fique exposto no piso. Providencie o rápido recolhimento do produto derramado ou, se em pequena quantidade, cubra-o com terra ou outro material absorvente não combustível.

     A CONTAMINAÇÃO DO ÓLEO DIESEL

     Além da contaminação de origem física, como poeira, partículas abrasivas, água, etc., há a considerar-se a contaminação produzida pela instabilidade química do combustível diesel, que é uma mistura completa de hidrocarbonetos. Muitos desses hidrocarbonetos são quimicamente estáveis não reagindo rapidamente com o oxigênio ou outros elementos. Os produtos parafínicos e naftênicos estão dentro desta categoria. Os produtos aromáticos, oleofínicos e diolefínicos, já não são tão estáveis e tendem a reagir com oxigênio ( gomas ). O material solúvel resinoso pode transformar-se posteriormente em material insolúvel, pela ação de temperaturas pouco mais elevadas e por períodos maiores de estocagem. A presença de água nos tanques, proveniente de condensação da umidade de ar, em contato com as partes metálicas, e com o enxofre do combustível irá produzir óxidos metálicos que formam material sólido abrasivo. Este material é constituído de minúsculas partículas que chegam a ter a mesma densidade que o óleo diesel, e, portanto, nunca decantam ou se separam naturalmente do produto. São elas que dão aquele tom marrom-escuro ao óleo diesel contaminado.

     A água não contribui para formação de gomas, mas proporciona um meio favorável à proliferação de bactérias, fungos e ferrugem. Todo este meio ambiente está presente em um tanque armazenador o que contribui para acelerar todo o processo contaminante. A oxidação das paredes internas de um tanque acelera-se à medida que o mesmo vai sendo esvaziado pelo consumo. O óleo diesel reposto entra em contato com paredes cada vez mais poluídas. Recentes alterações nas especificações do óleo diesel, permitiram acrescentar Nafta a este produto. Sendo a Nafta um poderoso solvente, ao entrar em contato com estas superfícies oxidadas e contaminadas, irá dissolvendo estas incrustações que irão acelerar a contaminação do óleo diesel. Trata-se de mais um fator de auto-contaminação. Os filtros naturais, instalados junto aos motores diesel, rapidamente são obstruídos pelo combustível contaminado, devido à reduzida área de filtragem desses elementos. Essa obstrução será tanto mais rápida quanto maior for a contaminação do óleo diesel recebido dos tanques.

     Estes filtros naturais, tipo cartucho, não desempenham a sua função protetora se o combustível que recebeu tiver um nível de contaminação maior que a sua capacidade de remoção de contaminantes.

     POR QUE O ÓLEO DIESEL PRECISA SER BEM FILTRADO

     Para se entender por que o óleo diesel precisa ser eficientemente filtrado no momento do consumo, é preciso verificar e avaliar como funciona o sistema de injeção de um motor diesel. É incrível que motores tão potentes e grandes, utilizados em serviços pesados, tenham peças de tal precisão que, em alguns casos, superam os níveis de tolerância da indústria relojoeira. A bomba injetora e o bico injetor são responsáveis pela alimentação de um motor diesel. Funcionam como se fossem o “carburador” ou injeção eletrônica de um motor à gasolina. No motor diesel o combustível é injetado pela bomba injetora em quantidades dosadas com exatidão. O combustível penetra na câmara de combustão através do bico injetor.

     No curso de aspiração, o motor apenas aspira ar. Esse ar se aquece tanto durante o curso de compressão, que o combustível ( diesel ) injetado por volta do fim do curso sofre uma auto-combustão. É preciso, porém, que o combustível seja injetado na câmara de combustão sob condições bem determinadas:

     1. Numa quantidade perfeitamente dosada de acordo com a potência desenvolvida pelo motor;

     2. No momento exato;

     3. Durante um intervalo de tempo bem determinado;

     4. De uma maneira adequada ao processo de combustão em questão. Um equipamento de injeção se compõe de várias peças, com funções e desempenho extremamente precisos, constando basicamente de: bomba injetora, regulador, bomba alimentadora, avanço de injeção, filtro de combustível, porta injetores e bicos injetores. A bomba injetora possui tantos pistões quantos cilindros tiver o motor. A injeção no cilindro do motor é feita por um bico injetor ligado à bomba por um tubo metálico, sendo um bico injetor para cada cilindro.

     A PRECISÃO E TECNOLOGIA DAS PEÇAS DE INJEÇÃO DIESEL

     Existem vários tipos de bombas injetoras, bem como de bicos injetores. Os aços empregados na fabricação de componentes de injeção são de altíssima qualidade. Aqui um simples teste desta precisão: Seguramos na mão o corpo e agulha de um bico injetor. A agulha entra com incrível precisão dentro do seu corpo, aonde normalmente funciona. Separamos a agulha do corpo e a envolvemos por alguns minutos com a nossa mão. Ao tentarmos recolocá-la no corpo, a agulha não entra porque sofre uma pequena dilatação provocada pela transmissão do calor de nossa mão. Na prática, em um motor estas peças funcionam a altíssimas temperaturas e sofrem desgastes prematuros e exagerados, quando o óleo diesel estiver poluído.

     O corpo e agulha do bico injetor são levados um para outro. Cada agulha tem, pois, um único corpo que lhe corresponde e vice-versa. Tanto a agulha como o corpo, não podem ser substituídos em separado constituem uma unidade.

     A PRINCIPAL FUNÇÃO DE UM BICO INJETOR

     O bico injetor é que introduz o combustível na câmara de combustão de tal forma que sua queima seja mais completa possível. A bomba injetora envia o óleo diesel para os bicos injetores sob alta pressão ( até 1.000 kg/cm2 0 e o bico injetor vaporiza este combustível no ar comprimido ( da câmara de combustão ) a mais de 700ºC fazendo com que o óleo diesel entre em combustão expontânea.

     Bico injetor pulverizando óleo diesel dentro do cilindro de um motor.

     É nessa fração de milésimos de segundos que o combustível é transformado em energia. É nessa hora que o motor precisa de óleo diesel bem filtrado para ter um desempenho eficiente e econômico.

     O óleo diesel tem que ser pulverizado como se fosse um spray.

     Há bicos injetores de um ou vários furos. Nos bicos de um só furo, este pode estar localizado no centro ou lateralmente. Nos bicos de vários furos, os mesmos formam o ângulo-entre-furos ( até 180º ). Para se obter a melhor distribuição possível do combustível na câmara de combustão, os furos ( até 12 ) são dispostos simetricamente. O diâmetro e o comprimento do furo influem na forma e na profundidade de penetração do jato. Os diâmetros dos furos de bicos usuais começam com 0,2mm aumentando sempre 0,02mm, ou seja, são menores que o diâmetro de um fio de cabelo. Se nesta ocasião, o bico injetor estiver desgastado, o óleo diesel passa a ser “esguichado” dentro do motor e inicia-se aqui o desperdício do combustível que, carbonizado, vai virar fumaça preta.

     COMO O ÓLEO DIESEL POLUÍDO DESGASTA O MOTOR

     Antes de chegar aos cilindros do motor, onde se transforma em energia, as impurezas contidas no óleo diesel já terão causado sérios problemas de desgaste prematuro aos vários componentes do veículo. O tanque de consumo terá suas paredes internas atacadas, os filtros primário e secundários já terão sido saturados e dificultarão o fluxo tecnicamente dosado do combustível.

     A bomba injetora já estará desregulada e desgastada, e as canalizações que conduzem o óleo diesel já estarão parcialmente obstruídas. No bicos injetores, o problema das falhas de injeção causados pelas microimpurezas é altamente nocivo. Devido à precisão, os micro-poluentes provocam uma erosão prematura nestas peças que vão falhar o seu desempenho. O óleo diesel, em vez de ser pulverizado, passa a ser “esguichado” para dentro do motor. Este excesso de combustível poluído é que se transforma em FUMAÇA PRETA, e irá também provocar um desgaste na camisa do cilindro, anéis do pistão, no pistão nas válvulas de admissão e contaminar o óleo lubrificante em todo o carter, que, por sua vez, irá prejudicar todos os componentes que são lubrificados, tais como: biela, vira-brequins, tuchos. Conclusão: O motor inteiro fica desregulado, perde potência e os gastos excessivos com manutenção e consumo acentuamse.

     O emprego do óleo diesel com consideráveis impurezas que embora finíssimas são altamente abrasivas danifica desta maneira as peças do sistema de injeção e demais componentes.

     Quando os pistões, anéis e cilindros ficarem desgastados, o óleo lubrificante irá em excesso para as partes superiores do motor e começará a ser carbonizado pelas altas temperaturas.